Como você era quando nasceu?
Você está curioso(a), não é mesmo? Então, vou contar para você a minha história, a história de uma gordinha. Bom, sou de uma família de três irmãs. Fui o menor bebê entre nós três. No entanto, com os passar dos anos, fui crescendo e, consequentemente, engordando!
Você sempre foi uma pessoa gorda? Quais os apelidos que já lhe foram atribuídos?
Sempre fui uma criança gorda e, é claro, qual criança gorda não sofre ao ser chamada de baleia, de gorda, e de muitos outros apelidos perjorativos? Sabe como eu reagia? Da pior maneira possível: socando todo o mundo. Assim me tornei pré-adolescente, adolescente e jovem.
Como era para você ser gorda? Como você se sentia?
Você talvez não consiga imaginar o que é ser uma adolescente e uma jovem gorduxa: você está na época das descobertas e eu não conseguia ter uma vida” normal”. Quando percebi, que ”não estava vivendo” entrei literalmente em crise. Alguma coisa eu tinha que fazer. Sentia que “eu não estava vivendo” nada do que me era de direito para a minha idade.
Você já tentou fazer alguma dieta?
Fiz muitas dietas, sem êxito.
Como ficou sabendo da existência da gastroplastia?
Um dia fiquei sabendo que uma prima minha tinha feito a gastroplastia e vimos os resultados de forma tão imediata que logo meu pai também fez a cirurgia. Parecia a solução para todos os problemas relacionados à obesidade.
Conte como foi sua experiência ao tentar realizar a gastroplastia pela primeira vez.
Foi aí que, aos 17 anos, tentei, pela primeira vez, realizar a gastroplastia. Imagine: eu tenho 1,70 de altura e já cheguei a pesar 145 quilos, ou seja, minha obesidade já era considerada mórbida. No entanto, para minha tristeza, meu plano de saúde não aceitou informando que eu era nova demais.
Você desistiu de fazer a gastroplastia?
Não. Aos 19 anos tentei novamente e consegui. Realizei a gastroplastia.
Como se sentiu ao realizar a gastroplastia?
No início fiquei muuuito feliz. Tinha sido uma grande conquista. Uma grande conquista por ter passado dois anos em tratamento com uma psicóloga, uma nutricionista e um endócrino (tudo para ver se minha cabeça estava preparada para o procedimento) e principalmente por ter sobrevivido à cirurgia (trata-se de uma cirurgia de risco).
Como foi seu pós-operatório?
Terminada a cirurgia eu fiquei quatro dias internada. Eu não pude nesses quatro dias colocar nada na boca, nada mesmo: nem uma gotinha de água. Depois do quarto dia fui para casa.
Como passou a se alimentar após a gastroplastia?
Passei a tomar 30ml de qualquer líquido de meia em meia hora. Fiquei um mês assim. Depois passei para o pastoso. Lá se foram mais quinze dias.
Como seu corpo reagiu ao se alimentar desse jeito?
Sabe, eu não me sentia bem. Não me sentia bonita ou atraente. A gente vai para a cirurgia com uma falsa impressão: a gente acha que depois da cirurgia a gente vai sair do hospital magra, e não é bem assim. A gente tem muito trabalho depois da cirurgia.
O que foi mais difícil para você após a gastroplastia?
O mais difícil é que a gente não pode comer demais, não pode comer nada muito gorduroso ou muito doce. Tem alguns alimentos que a gente não pode comer de jeito nenhum até mesmo depois de anos se operada. Vou te dar um exemplo: tenho síndrome de dummping (é quando o açúcar cai muito rápido na corrente sanguínea, aí você sente uma aceleração no coração e fica com um mal estar muito grande) e não consigo mais comer chocolate, não posso comer muito queijo, etc.
Descreva algumas conseqüências não muito boas da gastroplastia.
São muitas as conseqüências não muito boas advindas da cirurgia de redução do estômago. Vou citar algumas: hoje em dia estou com pouco ferro no meu corpo, estou com falta de algumas vitaminas, meu organismo não absorve mais a vitamina b 12, meu cabelo cai com muito mais freqüência, minhas unhas são fracas (com o tempo isso vai parando) e eu vou ter que tomar remédios para o resto da vida.
Descreva algumas conseqüências boas da gastroplastia.
Mas também há conseqüências muito boas e elas superam as dificuldades que tenho e terei. Vou citar algumas: minha auto-estima melhorou muito, estou bem mais confiante, eu me sinto bem, me sinto “normal”, uso roupas tamanho M ou G que são encontradas em quase todas as lojas e nunca me arrependerei de ter feito a cirurgia principalmente porque se não fosse a cirurgia eu não saberia se viveria até os meus 30 anos.
Fonte: gordinhas sedutoras
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