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"Nasci muito fraquinha, então meus pais me enchiam de comida. Se eu não queria fazer alguma coisa, me davam doces para me convencer. Na adolescência, mantinha os 65/ 70 quilos à base de muito remédio. Quando parava de fazer efeito, mudava de marca. Além de viciada em comida, fiquei viciada em drogas para emagrecer. As drogas me davam taquicardia, perda de memória, insônia, mas eu não ligava.O medo de virar uma bola era muito maior. A verdade é que eu não era tão gorda como me via. Hoje, sei que poderia ter corrigido com ginástica o que eu não gostava no meu corpo. No Japão, a coisa desandou de vez. Não tinha mais a facilidade de ter os moderadores de apetite à mão e, de quebra, passei a tomar antidepressivos também. Tive crises horríveis, alucinações, pressão alta, achava que ia morrer. Cheguei a ir de ambulância para o hospital só para os médicos constatarem que eu não tinha nada. Para fugir das drogas, tente i de tudo, de produtos dietéticos a acupuntura. Cheguei aos 155 quilos. Fiquei 3 anos sem sair de casa. Não ia ao médico nem ao dentista porque sabia que as crianças iam ficar olhando e as pessoas apontando para mim. Nem tentei arranjar um emprego porque sabia que não me dariam a vaga. Trabalhava em casa fazendo comida para fora. Era impossível achar roupa para o meu tamanho aqui, meus parentes tinham que mandar dos Estados Unidos. O mundo não foi feito para os gordos. Tinha dias que eu achava que não seria mais capaz de levantar da cama. Eu sabia que se continuasse assim ia morrer. Foi aí que resolvi fazer a cirurgia de redução do estômago. É uma cirurgia de risco (para o obeso tudo é um risco), muita gente morre na mesa de operação, mas eu estava entre a cruz e a espada. Minha sobrinha pesquisou sobre a cirurgia para mim nos EUA e eu viajei para lá decidida a mudar de vida. Fiquei assombrada com a quantidade de gordos no país e com as facilidades que existem para eles. Vi gente andando de cadeira de rodas com controle remoto e aparelho para respirar. Quando chegavam no restaurante tiravam o aparelho e comiam como se fosse seu último dia de vida. Eu não queria chegar àquele ponto. Fiquei 4 dias no hospital. Os médicos reduziram meu estômago ao tamanho de um punho, menor do que o estômago de um bebê. Nas primeiras semanas tomava uma porção de caldo do tamanho de um dedal às refeições. Fiquei três meses me recuperando longe do marido e dos filhos que estavam no Japão. Foi bom porque assim não tinha outras preocupações além de cuidar de mim e, ao mesmo tempo, queria me recuperar logo para voltar para casa. Como me livrei dos antidepressivos? Graças ao correio. Meu marido mandou a caixa para o endereço errado. Aí eu deixei de tomá-los. Não posso dizer que estou sempre de alto astral. Ainda sou uma dependente de comida, a diferença é que hoje consigo me controlar. Tenho dias mais fáceis, outros bem difíceis. Nos momentos de crise, penso: 'Quer ficar viva? Então coma direito'. Dois anos depois da operação, estou com 70 quilos. Voltei a trabalhar fora, faço ginástica duas vezes por semana e acabei de fazer uma cirurgia de varizes. A cada dia me sinto melhor. Quando consegui cruzar as pernas foi uma vitória! Posso comer até 6 vezes por dia em porções pequenas. Não fico beliscando, aprendi que não sou uma lata de lixo em que se joga qualquer coisa."
Fonte: angelfire
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