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Obesidade abdominal é muito prejudicial à saúde", diz endocrinologista

Barriga grande, sinal de perigo. Quem avisa é o endocrinologista Antonio Roberto Chacra, professor da Unifesp. No programa "Consulta Médica" desta quarta-feira, o médico conversou com os internautas sobre os perigos da obesidade abdominal, novos tratamentos de diabetes e problemas na tireóide(leia as perguntas e respostas do bate-papo).

Segundo o médico, a obesidade abdominal tem chamado a atenção porque o tecido adiposo que se acumula no abdômen produz determinadas substâncias prejudiciais à saúde, principalmente ao coração. "A obesidade prejudicial é a que se acumula no abdômen. Se a pessoa é obeso por inteiro e não tem tanta barriga, tem menos risco de sofrer com problemas cardiovasculares", disse.

Para diminuir a barriga, a receita do médico é fazer dieta aliada à atividade física. "O paciente perdendo peso vai conseguir diminuir a gordura abdominal. Mas existem dificuldades de educação alimentar, então alguns médicos usam a estratégia de receitar medicação."

Novos medicamentos

O endocrinologista informou que até o ano que vem chegarão ao Brasil novos medicamentos na área de diabetes e de redução de peso.

As principais novidades são para o tratamento de diabetes.
A primeira é a insulina inalável, que deve chegar no Brasil somente em 2007. "Este ano foi um impacto na área de diabetes. A vantagem da insulina inalável é que em vez de aplicações diárias por meio de injeções, o paciente vai inalar insulina. Mas para isso ele não pode ter problema pulmonar, asma, e nem ser fumante", explicou.

Outros dois novos medicamentos para diabetes são baseados nas incretinas, hormônios que estimulam a produção de insulina pelo pâncreas. "Uma vez administrado por via oral, esses medicamento estimulam as incretinas e o paciente produz mais insulina, controlando o diabetes. O bom é que o paciente não ganha peso e não tem hipoglicemia."

"Outra medicação nova é uma injeção subcutânea a base de incretina. Diferente da insulina, essa injeção é de dose única e o paciente também não apresenta hipoglicemia", contou.

Para a perda de peso, a novidade é a substância Rimonabant, que induz a uma redução da gordura abdominal, e que deve chegar ao Brasil até o primeiro semestre de 2007. "Essa substância age no Sistema Nervoso Central, no centro de saciedade, e na gordura abdominal", explicou o médico.

Cirurgia de redução de estômago e diabetes

Chacra disse que os moderadores de apetite podem ser prescritos para pacientes que sofrem de obesidade mórbida. "O paciente perde peso, mas volta a ganhar", avisou. "Quando esses pacientes já fizeram tudo do ponto de vista clínico a cirurgia de redução de estômago é indicada."

Ele contou que quando a pessoa que passa por essa cirurgia tem diabetes, a doença some. "Tem casos clínicos comprovados. O diabetes desaparece porque a pessoa perde muito peso. O intestino também produz hormônios. Tem hormônios que são produzidos pelo intestino que estimulam a produção de insulina. Quando a gente come e o alimento chega lá, estimula a produção das incretinas, hormônios intestinais, que vão estimular a produção de insulina e cura o diabetes", explicou;

Nódulos na tireóide

Chacra falou que o aparecimento de nódulos na tireóide é mais comum nas mulheres e por isso hoje em dia ginecologistas e clínicos gerais estão pedindo exames de ultra-som. "Às vezes identificamos nódulos inocentes. Cabe ao médico endocrinologista decidir se o nódulo tem alguma suspeita para indicar uma punção biópsia ou não. Pela ultrassonografia, se o nódulo for menor que 1 cm, o médico vai apenas observar e repetir o ultra-som depois de 6 meses, 8 meses", disse.

Se o diagnóstico for de malignidade, de câncer, o endocrinologista disse que se a glândula tireóide for retirada o prognóstico é muito bom, praticamente de cura total. "Agora existem formas de câncer na tireóide que o prognóstico pode ser ruim. Seguindo uma frase do leigo, 'se tiver que ter câncer, que seja de tireóide'."

 

 

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