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Endocrinologista comenta os mitos do emagrecimento Os gordos estão entre as pessoas que mais preocupam os médicos em todo o mundo. Declarado um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde, o excesso de peso foi o tema do "Consulta Médica" desta quarta-feira -novo dia do programa.
Os brasileiros não fogem à regra. Ao contrário: estão entre os que mais têm dificuldade para controlar o peso. Motivo: o desejo de emagrecer rapidamente. Uma pesquisa de um laboratório farmacêutico em 2003 mostrou que 25% dos brasileiros acreditam que o certo é perder peso em pouco tempo - entre os ingleses esse percentual é de apenas 6%, entre os alemães, de 7% e entre os espanhóis, só 8% declaram ter a perda rápida de peso como meta.
"As dietas rápidas podem fazer mal à saúde. Quanto mais demorado for o processo, mais eficiente será a reeducação", alertou Fadlo Fraige Filho, chefe de endocrinologia do hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo.
No estúdio do UOL News ele respondeu às dúvidas dos internautas (leia a íntegra do bate-papo) e esclareceu mitos sobre emagrecimento.
Brasileiro não sabe comer
"A obesidade é uma conseqüencia da vida moderna. A gente vive sentada, tem pouco tempo para o lazer e as atividades físicas, e só faz refeições rápidas", comentou o médico. "Muitos pulam o café-da-manhã. E 'almoçam' no bar da esquina."
O resultado disso foi constatado em pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada em dezembro passado: 40% da população do país está acima do peso.
"O brasileiro não tem noção de nutrição. Hoje já existe o pobre mal-nutrido obeso. Ele não está abaixo do peso, mas come muito mal porque sua dieta é basicamente de carboidratos", destacou. "As pessoas precisam aprender o que é carboidrato, o que é gordura, etc, para saber o que estão comprando, o que estão levando à mesa."
Excesso de 'combustível'
Comparando o corpo a um carro, o endocrinologista explicou o que acontece quando se ingere um alimento. "O combustível do nosso corpo é a glicose (açúcar), que está presente no que comemos. Ela entra nas nossas células por meio da insulina, que funciona como um injetor", descreveu.
"Além disso, a insulina estimula a produção de gordura. É o meio de guardar o combustível que sobra. Por isso, quando mais exagero na mesa, mais gordura. E se há falha de insulina, ocorre o diabetes, que é o excesso de açúcar no sangue."
Low-carb
Os alimentos com baixo teor de carboidratos viraram "moda" nos Estados Unidos, onde são chamados de low-carb. Para Fraige, eles são uma saída válida para combater o excesso de "combustível" (glicose) no organismo.
O que é gostoso é proibido?
Fraige lembrou que não é necessário parar de comer doces, massas ou tomar bebida alcoólicas. "Tem que entender que tudo na vida está na moderação", explicou.
O médico lembrou que o organismo tem um mecanismo de saciedade, que avisa quando a pessoa está satisfeita. "O problema é que nos obesos esses sinais de saciedade são alterados. A pessoa come tão rápido... A mensagem nem chegou ao cérebro e ela já está no segundo prato!"
Remédios
"O mais importante no caso da obesidade é perder peso. Se as outras formas (dietas e exercícios) não derem o resultado necessário para o paciente, é preferível o remédio", comentou o endocrinologista. Ele alertou que só um médico pode indicar o tratamento certo para cada pessoa.
Fraige também destacou que problemas emocionais devem ser tratados em paralelo à obesidade porque podem levar ao aumento de peso. "Ansiedade é, junto com sedentarismo, a principal causa de obesidade. Problemas psico-emocionais, alteram o nosso equilíbrio e provocam uma fome ansiosa, uma fome emocional... Aquilo de comer mais e mais, comer `sem perceber`."
"Hoje existem medicamentos como a sibutramina que ajudam a controlar isso. Mas se você não resolver seu problema emocional, não adianta o medicamento. Tem que descobrir a causa e enfrentá-la."
Leitura pode ajudar
Para o médico é fundamental que se conheça o caminho da alimentação saudável. "As pessoas sabem a escalação do Corinthians, mas não têm idéia do que é nutrição. É só tirar uma hora por dia e abrir um livro." |