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Obesidade no Brasil preocupa mais que desnutrição

A fome deixou de ser o grande problema de saúde pública do Brasil na área alimentar. Atualmente, a obesidade preocupa mais que a desnutrição, de acordo com estudo divulgado pelo Ministério da Saúde.
O Guia Alimentar para a População Brasileira será distribuído para agentes comunitários e equipes do Programa Saúde da Família em todo o País. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento mostra que enquanto a desnutrição caiu de 9,5% para 4% da população, o número de brasileiros gordos aumentou de 1975 a 2003.

Atualmente, 40% dos adultos no País estão acima do peso considerado ideal, com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25. Ao se levar em conta o total de obesos pessoas com IMC superior a 30 , o percentual é de 8,8% para os homens e 12,7% para as mulheres.

O problema se concentra nas regiões Sul e Sudeste, onde a obesidade afeta 9,8% dos homens e 14% das mulheres em média. Em relação à faixa de renda, os índices são maiores entre os homens mais ricos: nas famílias com renda per capita superior a cinco salários mínimos, o percentual aumenta para 13,5%.

Entre as mulheres, no entanto, a obesidade ocorre de forma praticamente igual em todas as classes sociais, sendo um pouco maior (14,4%) nas famílias com renda per capita de um a dois salários mínimos. "Essa é uma prova de que o excesso de peso é um problema cada vez mais generalizado", comentou Ana Beatriz Vasconcellos, coordenadora de Política e Nutrição do Ministério da Saúde.

Na avaliação dela, as classes mais baixas, que experimentam uma recuperação da renda, comem mais. Mas fazem isso de forma errada: "Essa parcela da população passou a consumir alimentos com açúcares e gorduras, que são mais baratos". Para a coordenadora, as mudanças demográficas na população, que migrou do campo para a cidade e passou a consumir mais produtos industrializados, são a principal causa do aumento da obesidade.

"As pessoas não têm mais tempo de preparar refeições, então recorrem a alimentos processados, que trazem prejuízos para o estado nutricional da população", avaliou.

Os agentes de saúde, acrescentou, utilizará o guia para orientar a população a consumir alimentos mais sadios, como frutas, legumes e verduras. Segundo as estatísticas do IBGE, o consumo médio desses produtos, em todas as classes sociais, está abaixo do mínimo recomendado de 400 gramas diários.

 

 

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